Região, Raça, e Clase Social: Recepcão de TV na Salvador, Bahia

por: Joe Straubhaar / University of Texas at Austin

(for English, click here)

TV Globo

TV Globo

Os que estudam televisão no Brasil veem a TV Globo, que tem mais que 50 porcento dos telespectadores, como poderosa e hegemônica. Um dos aspetos mais problematicos disso é o tratamente de raça por TV Globo, mostrando poucas pessoas negras ou mixtas na tela num país onde mais que metade da população é negra ou mixta (Araujo 2000). Pesquisadores e ativistas tem criticado isso, mais a discussão de raça na televisão tem sido diminuido por uma ideologia nacional de que Brasil tem uma problema de imobilidade de clase, mais não de racismo. Porem, en entrevistas em Salvador (2004-2005), encontrei pessoas dizendo, “Não vejo tanto a Globo mais porque não vejo pessoas como eu na Globo.”

Um taxista de clase operaria e afrodescendente disse que estava assistindo mais SBT, en vez da Globo. (SBT, o segundo rede nacional, tem como publico alvo a clase media baixa e operaria desde que realizou que não pode concorrer com a Globo para a audiencia geral (Fadul 1993).) Perguntei ao taxista se ele queria dizer que a Globo não tem atores negros suficientes na tela e que SBT tem mais. Ele disse que isso faz parte, mas não parecia comfortable falando explicitamente de raça, bem com alguns outros entrevisatados quando perguntei o que eles queriam dizer com comentarios similares. Foi muito mais facil para eles falarem que as pessoas na TV Globo foram sempre ricos demais, não como as pessoas na realidade. E eles foram capazes de articular um senso de como Rio, onde a maior parte das novelas da Globo são situados, é um lugar bem diferente que Salvador; de que eles são baianos em vez de cariocas.

Paraiso tropical

“Paraiso tropical”

Tres niveis de identidade sairam das entrevistas. Primeiro, muitas pessoas abertamente articularam um senso de diferença de clase social com as pessoas que veem na televisão. Segundo, muitas falaram de um sense de distancia cultural, baseado em geografia cultural, que as pessoas na tela vivem num parte do paîs bem diferente com uma cultura muito diferente (La Pastina 2003). Terceiro, alguns poucos articularam a percepcão de que mais pessoas na tela são brancos do que em Salvador, onde a maioria são afro-brasileiros.

As pessoas que entrevistei tiveram difficudade em pensar suas proprias identidades entre raça e clase. Algo lhes interessem porque são negros ou porque são da clase operária ou pobre? Esta problema reflete a ideologia brasileira do seculo 20 que raça não é uma problema no Brasil de raça mixta, mas que clase é a problema verdadeira (Crook & Johnson 1999). Porém, movimentos contemporáneas de ativistas negras na cultura e política buscam criar mais consciência de raça como um aspeto importante de identidade no Brasil, particularmente na Bahia, onde um numero de bem conhecidos blocos de carnaval tem sido notavalmente afrocentrico nas suas temas, imagems, e discurso desde o começo da decada 1980 (Guerreiro 2000). Encontrei este movimento refletido nas minhas observações e entrevistas em 2005. Eu assisti Fama, um concurso regional e nacional de cantadores na Globo com um grupo de pessoas da Banda Femina Didá, um bloco afrocentrico para mulheres e adolescentes. A cantadora principal do grupo estava concorrendo com sete outros para uma das tres lugares representando o nordeste do Brasil. Somente tres das sete foram afrodescendente, enquanto a maior parte das pessoas na região provavelmente são. Um concorrente negro que as pessoas de Didá chamava de negão e dois brancos ganharam. A cantadora de Didá e uma outra mulher de raça mixta com muita carisma e um voz poderosa foram ambas eliminadas no concurso regional. Quando as outras regiões do Brasil tambem votaram, o fundador da Banda Femina Didá, um musico conhecido como Neguinho da Samba, ficou revoltado com a predominância de nove contadores brancos no total de doze. Ele olhou para mim e disse, “Olhe, professor, ao preconceito que ainda existe neste país,” e saiu da sala.

Uma variedade de forças economicas estructuram posições da audiéncia em termos de clase social, capital econômico, e cultural. Industrias culturais poderosos e muitos outros estruturas sociais reforça os sensos da audiencia em termos de geografia cultural, clase social, genero, ethnia, idade, e religião. A televisão nacional ainda parece poderosa, ainda no começo no seculo XXI, quando a coerénçia das nações parece declinando. O estado nação, onde fica poderoso, ainda tem muitas armas para moldar o discurso de televisão. No Brasil, até recentemente, o estado tem trabalhado duro para diminuir a emfase na raça como um foco de discurso ou atividade political. Por exemplo, o governo militar em 1978 prohibiu á TV Globo de passar a miniseria Roots, porque eles temia que ela ia promover um discurso mais confrontácional sobre raça dos Etados Unidos para o Brasil (minhas entrevistas em Brasília, 1978). Porém, ação individuo ou grupal, como á ação das ativistas musicais afrocentricas na Bahia, tambem constrói e cambia estas forças sobre o tempo, como a leitura crítica da televisão dada pelas ativistas acima reflete.

Vidas opostas

“Vidas opostas”

Em suma, nas minhas entrevistas parece que espaço e “lugar” foram pontos chaves ou niveis de identidade para orientar o consumo dos meios e identidade cultural dos entrevistados. Segundo foi clase social. Raça e etnia é um outro nivel fundamental de identidade, mas o discurso social brasileiro tende a enfatizar a clase social em vez de raça como uma referencia contemporanea de identidade, mesmo que os brasileiros falam abertamente sobre a mixtura de raças na formação histórica das identidades brasileiras. Descobri que os brasileiros também fala sobre região ou “lugar” numa maneira implicitamente informada pelas identidades raciais. Um senso de região se torna uma maneira para falar sobre a raça; pessoas na Salvador falaria das suas diferencias de outros partes e povos do Brasil por falar de ser Baiano em vez de ser prêto, mas eu frequentemente recebeu um sentido distinto eles foram falando de ser prêto, também, usando um vocabulário menos confrontacional.

As vezes é dificil para entrevistados verbalizar que forças formam suas escolhas e ideias. Então levo muito a seria os niveis de identidade que as pessoas articulam diretamente, mas eu acho que nos também temos que inferir outros de aspetos estruturais das suas vidas, tais como a combinação complexa de região, clase e raça no Brasil que me leva a pensar que as pessoas foram as vezes falando sobre raça utilizando a vocabulária de lugar ou região e clase.

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Imagens
1. TV Globo
2. “Paraiso tropical”
3. “Vidas opostas”

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by: Joe Straubhaar / University of Texas at Austin

Most people who study television in Brazil see TV Globo, which has at least a 50 percent share of viewing, as powerful, even hegemonic. One of the most problematic aspects of this has been TV Globo’s treatment of race, showing very few Black or visibly mixed race characters on screen in a country where well over half of the population is Black or mixed race (Araujo 2000). While academics and activists have criticized that, discussion of race on television in Brazil has been muted by a widely accepted national ideology that while Brazil has a problem of class immobility, but not racism. However, in interviews in Salvador, in the largely Afro-Brazilian northeast of Brazil (in 2004-2005), I found that a number of people were saying, “I don’t watch TV Globo so much anymore because I don’t see people like me on Globo.”

A working-class Afro-Brazilian taxi driver said he was increasingly watching SBT, instead of TV Globo. (SBT, the No. 2 national network, has explicitly targeted lower-middle-class and working-class viewers since its management realized it could not compete with Globo for the general audience (Fadul 1993).) I asked the taxi driver if he meant that Globo did not have enough black people on screen and that SBT had more. He said that was part of it, but he seemed uncomfortable talking explicitly about race, as were several others when I asked them what they meant by similar comments. They had a much easier time talking about how the people on TV Globo were always too rich, not like the people they knew. And they were able to articulate a sense of how Rio, where most of TV Globo’s telenovelas and other programming is set, was a very different place than Salvador; that they were Baianos (people from Bahia) as opposed to Cariocas (people from Rio).

Three layers of identity emerged in the interviews. First, many people openly articulated a sense of class difference with the people they saw on television. Second, they are openly aware of cultural distance, based in cultural geography, that those people on screen live in a very different part of the country with a substantially different culture (La Pastina 2003). Third, a few articulated the point that more people on screen were white than in Salvador, where most people are Afro-Brazilian.

People I interviewed had a hard time sorting out their own identities between race and class. Does something interest them because they are black or because they are working class or poor? This reflects 20th-century Brazilian ideology that race is not a problem in mixed-race Brazil, but class is a real problem (Crook & Johnson 1999). However, contemporary Black cultural and political activist movements seek more awareness of race as a layer of identity in Brazil, particularly in Salvador, Bahia, where a number of well known Carnival music groups have been notably Afrocentric in their themes, imagery, and discourse since the early 1980s (Guerreiro 2000). I found this movement reflected in my observation and interviewing in 2005. I watched a TV Globo national singing contest, FAMA (“Fame”), with a group of people at the Banda Femina Didá, an Afro-centric samba group for women. The group’s lead singer was competing with seven others for one of three spots representing northeast Brazil. Only three contestants were Afro-descendent, although most people in the region probably are. One black contestant, whom the Didá people called a negão (handsome black man), and two white people won. The Didá singer and another apparently mixed-race woman who had a lot of charisma and a great voice were both eliminated in the regional contest. As the other regions of Brazil also voted, the founder of Banda Femina Didá, a musician widely known as Neguinho da Samba, became disgusted with the predominance of nine white singers in the winners circle of twelve. He looked at me and said, disgustedly, “Look, Professor, at the bias that is still there in this country,” then walked out of the room.

A variety of economic forces structure people’s positions in terms of class, economic, and cultural capital. Powerful cultural industries and many other social structures reinforce senses of cultural geography, class, gender, ethnicity, age, and religion. National television still seems to be powerful, even at the beginning of the 21st century, when the seeming coherence of nations is breaking down in many ways. The nation-state, where it is strong, still has many tools and levers to shape television discourse. In Brazil, until very recently, the state has worked hard to de-emphasize race as a focus of discourse or political activity. For example, the military government in 1978 prohibited TV Globo from showing the mini-series Roots, because they were afraid it would bring a more confrontational discourse about race from the United States into Brazil (my interviews in Brasília, 1978). However, individual and group agency and action, such as the action of Afro-centric musical activists in Bahia, also construct and change these forces over time, as the reading of television given by the activists above reflects.

Overall, it seemed from my interviews that space and place were key anchoring points for media consumption, and cultural identity. Next was class, the second major layer for Brazilians. Race and ethnicity is clearly another fundamental layer of identity, but Brazilian social discourse tends to emphasize class over race as a contemporary marker of identity, even though Brazilians talk freely about race mixing in the historical formation of Brazilian identities. I found that Brazilians also seem to talk about place in a way that is implicitly informed by racial identities. A sense of place becomes a way to talk about race; informants in Salvador would discuss their differences from other parts and peoples of Brazil by talking about being Baiano (Bahian) rather than being black, but I often got the distinct feeling that they were talking about being black, too, using a less charged vocabulary.

It is sometimes hard for interviewees to verbalize what forces shape their choices. So I take very seriously the levels of identity that people articulate, but I think we also have to infer others from structural aspects of their lives, such as the complex combination of place, class and race in Brazil that leads me to think that people were sometimes talking about race using a vocabulary of place and class.


Araujo, J. Z. (2000). A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira. Sao Paulo, SP, Editora SENAC São Paulo.

Crook, L., & Johnson, R. (Eds.). (1999). Black Brazil: Culture, identity, and social mobilization. Los Angeles: University of California Press.

Fadul, A. (1993). The radio and television environment in Brazil. Unpublished manuscript, University of São Paulo (Brazil), School of Communication and Arts.

Guerreiro, G. (2000). A trama dos tambores [The web of the drums: The afro-pop music of Salvador] (R. J. Straubhaar, Trans.). São Paulo, Brazil: Editora 34.

La Pastina, A. C. (2003). Viewing Brazil: Local Audiences and the Interpretation of the Nation. media in transition 3, MIT, Cambridge, MA.

Image Credits: (located in primary Spanish text)
1. TV Globo logo
2. Paraiso tropical
3. Vidas opostas

Author: Joe Straubhaar is a professor at the University of Texas at Austin.

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4 comments

  • Thank you, Joe, this is so interesting. In particular, when you say, “…Brazilian social discourse tends to emphasize class over race as a contemporary marker of identity,” because US social discourse seems to do just the opposite as it emphasizes race over class as a contemporary marker of identity. Some sort of Brazilian/US comparative analysis could be quite revealing.

  • What I find so interesting about Joe’s article is the intersection between race, class, TV, and “seeing.” As a visual medium, television literally forces its audience to “see” things they might otherwise try to avoid recognizing. How interesting that Brazilian audiences actively avoid seeing race, whereas they readily pinpoint the markers of socioeconomic class. American viewers (and programming), on the other hand, seems almost incapable of recognizing or representing genuine and fair socioeconomic diversity on television.

    This suggests, then, that merely representing diversity — be it ethnic, regional or socioeconomic — may not be enough, as audiences still turn a blind eye to the differences. Instead, television needs to actively engage with the conflicts inherent in these distinctions, and use them to provoke drama, and hopefully conversation.

  • Bondia boninho! estou muito anciosa na espera do bbb 10! eu quero sabe se vai ser primeiro BBB celebridade? e tambem se vai mistura idade proximo BBB normal?.
    Olha, tenho 55 anos + aparento menos, faço aula contemporania! estou muito bem msm!! eu ainda estou com meu perfil no 8p! é Isabelita2.
    Boninho, eu poderia ser a tia Bebêl, ja que foi a vô Nana.
    Eu sou uma mistura de genio! brava, boazinha, nervosa, genio forte,romantica, carinhosa, chorona claro meu signo é aquario KKK ja vil? + tenho o coração dócil, no msm momento que fico brava, ja volto a fica bem! não gosto de bacharía! se eu entrase ai na casa era pra ganha os 10 milhões que ja fiquei sabendo com os comentario da nativa e do pessoal do orkut! Boninho? pra quem assiste o BBB 24 horas, eu acho que teria que haver, algo de jogos, brincadeiras , ginastica etc: pq só escutando as meninas falando de namorado fica uma coisa sem graça! muito parado, tem que haver animação emoção!! poderia ter uma pequena quadra de voley, futibool, queimada e até amarelinha pq não? pra não dexa o pessoal parado! entro tem que dança!! ei parabens pelo o BBB9 eu gostei muito!! não sou puxa saco nem pé no saco KKKKKK. Fka com Deus e sorte para o proximo BBB!! tenho muita fé em Deus que vc irá ler meu comentario!! BJS tia Bebêl.

  • Hi Joe,

    Muito interessante o seu estudo. Eu trabalho com Análise Crítica do DIscurso em temas ambientais na TV. Se quiser posso te orientar o português para aperfeiçoar o texto. Sâo pequenas falhas facilmente corrigíveis. Podemos também trocar informações sobre estudos em TV.
    Tenho uma dissertação publicada na USP, basta fazer uma busca no banco de dados de lá: ” A Visão da Ecologia no Jornal Nacional”. Roberto Lestinge
    Nesse momento estou cursando um doutorado na mesma área.
    Sei que a Univ. de AUstin tem o melhor centro de estudos brasileiros nos EUA, pois morei 15 anos em Los ANgeles e trabalhei como jornalista, incluindo a TV Globo.

    abs,

    Roberto

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